segunda-feira, 17 de julho de 2017

RESENHA DO LIVRO "PERCY JACKSON E A MALDIÇÃO DO TITÃ"

Percy, Annabeth e Thalia recebem um chamado urgente de Grover, dois meio-sangues foram encontrados e precisavam ser escoltados em segurança para o acampamento Meio-Sangue, porque estavam na mira de um monstro.
      
Mas infelizmente a operação de resgate deu muito errado, e seria pior se Ártemis e suas caçadoras não tivessem chegado, mas, mesmo assim elas não conseguiram impedir que Annabeth fosse sequestrada.
     
Nico e Bianca, que eram os meio-sangues que deveriam ir para o acampamento, chegaram lá em segurança, mas no meio do caminho a garota resolveu que se juntaria a caçada e deixaria Nico, que era seu irmão, aos cuidados dos semideuses.
     
Depois eles descobriram que um monstro antigo, muito poderoso e que trazia sérios perigos para o Olimpo havia se levantado, e Ártemis que era a única deusa que podia encontra-lo tinha sido sequestrada. Então cabia a Percy, Thalia, Grover, Bianca e Zöe, que era a líder das caçadoras, encontrar o monstro e salvar Ártemis com pouquíssimas pistas do que encontrariam pelo caminho.
     
Em uma aventura melancólica aonde ocorre a primeira perda de grandes heróis e as consequências eternas de atitudes erradas. Nessa história Rick Riordan traz uma versão diferente do conto clássico de Herácles e do Jardim das Hespérides e antigos monstros conhecidos nossos vêm nos fazer uma "visita".
    
Percy e seus amigos precisam enfrentar vários desafios para conseguir impedir ou pelo menos retardar a guerra contra o senhor dos titãs que usa o melhor de seus planos honrando o título de o Tortuoso que lhe foi dado.
      
A trama é escrita em primeira pessoa mostrando o ponto de vista de Percy, trazendo todas as suas angústias para nós leitores, o único ponto negativo nessa escrita é que na hora da batalha fica mais difícil a visualização do todo que é descrito com menos intensidade.
    
O enredo ainda traz a lealdade de Percy aos seus amigos, a entrega de Zöe e o amor de Bianca para seu irmão Nico com um final muito doloroso.      

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sábado, 15 de julho de 2017

RESENHA DO LIVRO "PERCY JACKSON E O MAR DE MONSTROS"

O ano de Percy estava incrivelmente tranquilo, sem ataques monstruosos, sem problemas com a direção da escola, sem dever de casa explosivo e um a chegada de um novo personagem: Tyson, grande e desajeitado era o único amigo do protagonista, e vice-versa. O último dia de aula tinha tudo para coroar o ano letivo mais normal da vida do garoto, mas um sonho com seu amigo Grover em perigo despertou nele todo aquele estado de alerta para problemas mitológicos que ele conhecia muito bem.
 
"Só faltava um dia. Certamente, nem eu podia estragar tudo"
 
Infelizmente, sua preocupação se concretizou com um grande ataque de gigantes canibais, chamados lestrigões, em sua escola, culminando em um incêndio, explosões e provavelmente mais uma expulsão. Durante a confusão Annabeth apareceu e rapidamente tirou Percy e Tyson da situação. A viagem para o Acampamento foi confusa e com a previsão de mais problemas para o grupo.
      
Mais uma vez, a chegada foi dramática, um ataque de touros de bronze revelou para os recém-chegados que esse verão seria talvez o mais díficil da vida deles e um dos motivos era que a fronteira mágica que protegia o acampamento contra os montros materializada na árvora de Thalia - que outrora tinha sido uma corajosa campista e filha de Zeus - tinha sido envenenada.
 
"O que me preocupava era que os touros estavam se movimentando por toda a colina, inclusive atrás do pinheiro. Aquilo não deveria ser possível."

Para piorar a situação, Quirion foi despedido das atividades de diretor, tido como culpado e seria substituído por um tal sujeito chamado Tântalo, que estava disposto a dificultar muito a vida dos campistas naquele ano. Para finalizar o dia, Percy tem mais uma surpresa, Tyson era na verdade um ciclope e seu meio-irmão. 
      
A volta de pesadelos com seu grande amigo Grover, sequestrado e preso na Ilha de Polifemo, onde coincidentemente estaria a única cura para a árvore de Thalia, impulsiona Percy e Annabeth pedirem autorização para saírem em missão. Entretanto, o novo diretor decidiu entregar a missão para Clarisse, uma campista de filha de Ares que tinha algumas divergências com os protagonistas.
      
Isso não impediu de Percy, Annabeth e Tyson, com uma pequena ajuda, sair as escondidas do acampamento e se aventurar no Triângulo das Bermudas, que era o Mar de Monstros da mitologia, a fim de tentar encontrar, a única coisa capaz de livrar o acampamento e resgatar Grover.
    
A inspiração em "A Odisseia", a história de Ulisses e como ele navegou no Mar de Monstros e enfrentou inimigos, é pano de fundo para o volta de várias figuras repaginadas para o século XXI, em uma aventura totalmente marítima, com a descoberta de histórias do passado e de novos poderes dos pesonagens. 
 
"Essa coisa de 'Ninguém' poderia não ter feito sentido para outras pessoas, mas Annabeth me explicara que era esse o nome que Ulisses usara para enganar Polifemo séculos atrás, antes que ele acertasse o olho do ciclope com uma grande estaca quente."
 
Com perdas e reencontros, cenas de batalhas emocionantes nas quais a sagacidade de Annabeth, a coragem de Clarisse, o improviso de Grover, a força de Tyson e a determinação de Percy são suficientes para vencer qualquer inimigo que aparça no caminho, estejam eles juntos ou separados.
 
"Grover encontrara um fêmur de carneiro, o que não o deixou muito satisfeito, mas o segurava como um porrete, pronto para atacar."
 
Nesse segundo livro mais uma vez Rick Riordan aposta em um estilo narrativo  repleto de diálogos com o leitor, em uma narração contada na voz de Percy, com suas dúvidas, piadas e pensamentos. Escrito em uma linguagem fácil e na mesma estrutura do primeiro livro, mistérios revelados aos poucos, inúmeras surpresas a cada capítulo. Além de que, em vários pontos do livro são retomadas ou re-explicadas algumas situações do volume anterior.
 
"Normalmente, correr para ajudar Clarisse não estaria no topo da minha lista de 'coisas a fazer'. Ela era uma das maiores encrenqueiras do acampamento."     
 
Mais uma vez a história se encaixa completamente nos últimos capítulos e aquelas cenas que parecem que não mudariam nada na construção do enredo, se revelam peças fundamentais para a continuidade de um dos planos mais sórdidos para a destruição do ocidente.

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

RESENHA DO LIVRO "PERCY JACKSON E O LADRÃO DE RAIOS"

"Olhe, eu não queria ser um meio-sangue"
 
Da autoria de Rick Riordan, é assim que começa uma das melhores séries da literaratura atual.
 
Percy era um garoto com uma vida normal, novaiorquino, disléxico e com TDAH, morava com sua mãe Sally Jackson e seu padrasto Gabe. Nunca conhecera seu pai e via sua mãe trabalhar constantemente para mantê-lo em uma escola particular no norte do estado de Nova York, a Academia Yancy, onde seu único amigo era um garoto magrelo chamado Grover e o único profesor cuja aula o interessava era o senhor Brunner, que ensinava latim.
 
Depois de um acidente em uma excursão com a escola, todas as coisas anormais que já haviam acontecido com Percy pareceram voltar a tona juntamente com  sonhos esquisitos, ocasionando, no fim, e de novo, a expulsão do garoto do colégio, pela sexta vez em seis anos.
 
Voltar para casa não foi fácil, mas se tornou ainda mais díficil quando figuras da mitologia grega pareciam estar saindo dos livros e  invadindo a sua vida. Em casa, a proposta de viajar para Montauk com sua mãe pareceu aliviar a tensão e trazer tranquilidade por uns tempos. Mal sabia ele que esse passeio de fim de semana abriria as portas para a descoberta mais impactante da sua vida: a de que seu pai não estava morto, mas sim que era um dos 12 deuses do Olimpo, além de que toda a mitologia da aula de latim não só era real, mas tembém poderia matá-lo e o único lugar seguro para crianças como ele era o Acampamento Meio-Sangue.
 
Lá, ele faz amizade com Annabeth, filha de Atena, Luke, filho de Hermes, e descobre que Grover era na verdade um sátiro. A adaptação ao lugar foi realmente boa, mas Percy ainda não tinha descoberto quem era seu pai, e, foi durante uma atividade rotineira que sua vida sofreu mais uma reviravolta. Além de descobrir que ele era filho de Poseidon, o garoto recebeu a complicada tarefa de encontrar a arma mais poderosa de todas, o raio-mestre de Zeus, que tinha sido roubado no Olimpo.
 
Acompanhado por Annabeth e Grover, Percy cruza os Estados Unidos combatendo monstros e fugindo da polícia para tentar chegar no Mundo Inferior para confrontar Hades, que era um grande suspeito de  ter roubado a arma e estar esperando o início de uma grande guerra entre os olimpianos.
 
"No acampamento a gente treina, treina. E é legal e tudo mais, mas o mundo real é onde os monstros estão. é onde a gente descobre se serve para alguma coisa ou não"
 
Grandes decobertas embalam essa aventura recheada de deuses, monstros e batalhas, até que no fim o início de um plano sórdido contra toda a civilização ocidental é revelado. Amigos se tornam inimigos e o verdadeiro vilão é revelado, abrindo portas para uma saga surpreendente e cheia de aventura, coragem e reviravoltas surpreendentes.
 
"Mais que tudo, eu precisava ter uma conversa séria com ... que me enganara"
 
Toda a série é escrita em primeira pessoa, em uma linguagem simples, com muita conversa e interação com o leitor, que é sempre convidado para participar dos devaneios de Percy. Além disso, colocar o protagonista como alheio a grande parte das situações é muito útil, pois muitas perguntas que nós leitores faríamos aos personagens, são feitas pelo próprio personagem.
 
"Se você está lendo isso porque acha que pode ser um, meu conselho é o seguinte: feche esse livro agora mesmo."
 
No fim, é uma aventura completa. Muita fantasia e elementos surreais interagem com mistérios que surgem a cada página, prendendo o leitor na obra e convidando-o para adentrar no Acampamento Meio- Sangue e abraçar todas as consequências que essa decisão pode trazer.         
      
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segunda-feira, 26 de junho de 2017

RESENHA DO LIVRO "A MAGIA DA ÁRVORE LUMINOSA"

Lá em Florianópolis, na Praia das Ostras, vivia a Turma da Bernunça, composta por cinco crianças: Paulo, Sandra, Janete, Carlos e Geraldino, eles eram muito amigos e viviam várias aventuras onde moravam, usando a imaginação e a criatividade, criando histórias e fazendo novos personagens.
     
Certa vez em uma dessas aventuras, Carlos e Geraldino sumiram, e ninguém conseguia acha-los em lugar algum pela redondeza. Quando já estava escurecendo, eles apontaram no mar, os garotos tinham ido para a Ilha do Luna, que era considerada pelos pescadores locais, assombrada, misteriosa e perigosa, diziam que quem estrava nela saía louco.
   
O resto da turma quis ir também, afinal todos tinham que conhecer o local e viver uma "aventura", junto com seus pais combinaram de ir no sábado pela manhã, a turma, o pai e a mãe de Carlos e Paulo (que eram irmãos), e um arqueólogo amigo da família, Rubão.
   
Quando chegou o dia combinado, e eles já estavam se preparando para sair, perceberam que o barco estava quebrado e não aguentaria leva-los para a viagem, a decepção foi geral, ninguém podia acreditar que o tão sonhado passeio tinha ido por água abaixo, eles teriam que esperar mais para realizar o sonho de conhecer a Ilha do Luna.
   
Depois que os adultos se foram, as crianças resolveram que iriam sair de qualquer jeito, prepararam as coisas, arrumaram um barco emprestado e foram. Lá o tempo fechou, e um temporal desabou impedindo as crianças de voltarem para casa. Elas precisaram se abrigar dentro da floresta onde uma figura misteriosa apareceu de dentro de um pé de Garapuvu, deixando todos aterrorizados.
   
Acontecimentos mirabolantes, lendas saindo dos livros, espíritos despertos agitam os amigos, mostrando que nada acontece por acaso e tudo traz consequências. Completamente narrado em terceira pessoa, Rosana Bond nos deixa maravilhados com a imensidão da nossa cultura.
   
Uma lição ecológica se revela, quando resolvem destruir a ilha. A união entre os moradores por conta de uma ideia das crianças que lutaram pelo que acreditavam e nunca desistiram dos seus objetivos, nos ensina que devemos ter força para lutar, e se, tivermos coragem para defender nossos ideais é possível mudar o local onde vivemos, deixando pouco a pouco um lugar melhor para morar.


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domingo, 25 de junho de 2017

RESENHA DO LIVRO "A ÚLTIMA BATALHA"

Esse é o último livro da série "As Crônicas de Nárnia", que apesar de serem considerados livros infantis, Lewis nos traz lições de moral como ninguém, implícitas em metáforas, desde o primeiro livro. 
   
Neste volume, algo de errado está acontecendo, Aslan, o Grande leão voltou, o lugar devia estar em festa e comemorando por seu líder está de volta, mas, ele está diferente, só sai de noite, tem um porta voz, que é o macaco Manhoso, e o pior, etá obrigando os animais de Nárnia a servirem de escravos em Tashbaan, na Calormânia.
   
Todo o dinheiro que os animais deveriam ter arrecadado estava indo para o "Cofre de Narniano", em uma grande ironia, o Aslan que conhecíamos dos outros livros não era um acumulador de riquezas e sempre prezou pela liberdade de seus súditos.
   
O atual rei, Trinian, que ao tentar descobrir o que estava acontecendo, foi preso, ele e seu melhor amigo, o pônei Precioso.
   
Só mesmo um acontecimento mirabolante poderia ser capaz de reverter essa situação, e foi o que aconteceu, Eustáquio e Jill, apareceram novamente em Nárnia, para ajudar Trinian a tentar resolver essa situação. Eles libertaram o rei e foram até um abrigo secreto, lá eles se disfarçam de calormanos para facilitar a infiltração no meio dos outros.
   
Enquanto isso, Manhoso iludia todos os demais animais com ideias ilógicas e que contradiziam todos os princípios ensinados por Aslan, chegando até mesmo a afirmar que ele e Tash, que era o "deus" calormano que pregava o mal, eram a mesma pessoa.
   
Tentar descobrir o que estava acontecendo e devolver a paz e a ordem narniana era um dos objetivos das crianças e do rei, que não compreendiam todo a situação, eles precisariam de mais ajuda para expulsar os calormanos, uma batalha estava iminente.
     
O final é emocionante, sentimos nostalgia durante todas os capítulos deste último livro, escrevemos inúmeras possibilidades de um final, mas nunca seria algo imaginável o que Lewis escreveu.
     
A escrita de Lewis. tem uma linguagem fácil e acessível para qualquer um que tenha a mente aberta para um novo mundo, o escritor conclui a série de maneira brilhante. com a leveza e a sutileza que estamos acostumados a ver em suas obras.


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sábado, 24 de junho de 2017

RESENHA DO LIVRO "A CADEIRA DE PRATA"

Essa história começa na escola de Eustáquio e traz uma nova personagem, Jill, uma amiga de escola que se sentia excluída em relação as outras colegas de escola. Certa vez, ao fugir de uma confusão ela encontra o primo dos Pevensie, e eles resolvem chamar Aslam e pedir para irem para Nárnia. Felizmente, o pedido é atendido, e as crianças aparecem em um penhasco.
 
"Chorava porque alguém andara mexendo com ela. Como não vou contar uma história de escola, tratarei de falar o mais depressa possível sobre o colégio de Jill, assunto que não é nada simpático."
 
A menina chega antes e é recebida diretamente por Aslam, que lhe dá uma missão e quatro sinais, que ela e Eustáquio deveriam seguir rigorosamente, além disso, ela recebeu instruções de repetí-los todas as noites de forma que jamais esquecesse-os. O garoto chegou depois, e ambos foram soprados até o palácio do rei para dar início à missão.
 
Ao chegar no local indicado, Eustáquio pareceu perdido, e demorou a reconhecer Caspian, que agora estava muito idoso e partindo para uma última viagem para o leste, para tentar encontrar seu filho, o princípe Rilian, que estava desaparecido há muitos anos. Depois da partida do rei, as crianças vão até o palácio e são recebidos por Trumpink, que contou que a rainha tinha sido morta por uma serpente gigante e Rilian jurou vingança, e nessa busca ele desapareceu.
 
"Longe daqui é o reino de Nárnia. Ali vive um velho rei, que anda em aflição por não deixar um filho, um príncipe de seu próprio sangue, que venha a ser rei depois dele. Não tem herdeiro, pois seu único filho foi sequestrado há muitos anos."
 
Portanto, o objetivo da missão seria encontrar o princípe desaparecido, o problema é que como o reino já sofrera bastante com as perdas, o anão não queria deixar que as crianças fossem, então, na calada da noite, com ajuda da coruja Plumalume, Eustáquio e Jill partiram até a região pantanosa para pedir ajuda para uma criatura que aparece pela primeira vez na mitologia narniana, um paulama - uma figura humanóide mas quase confundível com o alagadiço - seu nome era Brejeiro.  Um pessimista nato, mas que estava disposto a entrar na aventura.
 
 "É verdade que quando eu digo 'bom dia' não estou querendo dizer que não vá chover... ou nevar... ou trovejar. Aposto que vocês não conseguiram dormir nenhum pouco."

Na difícil jornada do grupo, mas um cenário é apresentado: o note de Nárnia, na Terra dos Gigantes. Nos livros anteriores alguns deles apareceram e foram citados, porém a cidade deles e em especial essa raça aparece pela primeira vez nesse volume. Mais uma vez, o frio do inverno se mostra presente (o que em Nárnia é normalmente sinal de problema) e vários desafios são propostos afim de provar a firmeza e a fé das crianças em tudo que elas se dispuseram a acreditar.
 
"Lá pelas dez horas os pimeiros flocos miúdos começavam a cair nos braçes de Jill. Dez minutos mais tarde caíam com mais intensidade. Mais vinte minutos e o chão ficara branco. No fim de meia hora, uma boa tempestade ne neve fustigava-os, ofuscando-lhes a visão e prometendo durar o dia todo."
 
Com a mesma tendência narrativa dos livros anteriores, exemplificando a simplicidade da linguagem muito presente nos livros de Lewis, esse volume tem o mesmo narrador que além de contar a história sabe o que pensam os personagens. Diferentemente do livro anterior, no qual embora todos os pensamentos fossem revelados, havia um foco na história de Eustáquio, nesse, há uma forte presença em Jill, contando suas angústias, dúvidas e decisões.
 
"Jill deixou de repetir os sinais todas as noites e manhãs. A princípio, dizia para si que estava cansada demais; depois, simplesmente se esqueceu de tudo."
 
Com um enredo leve, mas possui menos aventuras que os outros volumes, embora não deixe de lado a ação (descrita da mesma forma, sem longas e detalhadas adjetivações), ela é menor que a dos outros livros. Nessa história, o poder de decisão de cada um é mostrado como primordial para a solução de problemas, e deixa claro que nunca é tarde demais para seguir o caminho certo e agir de acordo com o que Aslam diz.  
 
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

RESENHA DO LIVRO "A VIAGEM DO PEREGRINO DA ALVORADA"

Edmundo e Lúcia foram passar o verão na casa de seus tios Arnaldo e Alberta e do filho deles Eustáquio, uma família extremamente séria e sem graça. Certa vez, os irmãos estavam no quarto aproveitando um tempo longe do primo e admirando um belo quadro de um barco na parede, até que o rapaz chegou e começou a zombar por causa das histórias sobre Nárnia que ele já os ouvira falar.
 
"Naquela tarde, estavam sentados na beira da cama no quarto de Lúcia, olhando para um quadro pendurado na parede - o único quadro de que gostavam em toda a casa."
 
Foi aí que aconteceu o inesperado, o barco do quadro começou a se movimentar e de repente as três crianças foram puxadas para dentro e caíram em alto-mar. Qual não foi a supresa que eles tiveram quando ao serem resgatados encontraram seu amigo e agora rei de Nárnia: Caspian. Explicaram que o país estava em perfeita paz e foi organizada essa missão no navio Peregrino da Alvorada para que ele fosse além das Ilhas Solitárias em busca dos sete fidalgos amigos do pai de Caspian que haviam desaparecido em uma missão pelos Mares Orientais.
 
"-Pois bem, no dia da minha coroação, com a aprovação de Aslam, jurei que se um dia estabelecesse a paz em Nárnia navegaria durante um ano para encontrar os amigos de meu pai, ou ter a certeza da morte deles e vingá-los caso pudesse."
 
Eustáquio não acreditava no que estava acontecendo, e enjoado como era começou a pedir para parar em um lugar onde ele pudesse "prestar queixa ao cônsul britânico", para ele aquela viagem seria a pior tortura que se podia imaginar. Para os outros tripulantes, só restava ter muita paciência para lidar com o garoto que nada conhecia sobre aventuras e fantasia.
 
"Quase todos nós já sabemos o que se pode encontrar numa toca de dragão, mas, como eu já disse, Eustáquio só lera livros que não servem para nada. Falavam de exportações e importações, de governos, de canos de esgoto, mas eram muito fracos em questão de dragões."
 
Nesta aventura, o conhecido país de Nárnia, e seus lugares que outrora foram palcos das mais famosas histórias, não aparecem, o que abre espaço para entrada de cenários e personagens totamente inéditos até agora. Ilhas mágicas e misteriosas, populações de espécies desconhecidas, magos e até estrelas aposentadas marcam este livro que na minha opinião é um dos melhores da série.
 
A narração, como nos outros volumes, é do ponto de vista de algum oobservador que não participa da histórias, entretanto, dessa vez, o foco maior é em Eustáquio, trazendo inclusive registros feitos por ele em seu diário. Nessa viagem, o garoto passa pelas mais desafiadoras experiências da sua vida, uma em particular consegue lhe transformar em uma pessoa muito melhor, revelando a ele o quão errada suas atitudes para com outros haviam sido.  
 
"Caiu sobre ele uma tristeza tremenda: via agora que os outros não eram tão maus como imaginara. E começou a pensar se ele próprio teria sido realmente aquela excelente pessoa que sempre julgara ser."
 
Um volume em alto mar, nele descobrimos os lugares mais perigosos de Nárnia, por isso Aslam aparece várias vezes de maneira rápida, como uma luz, guiando cada um para o caminho correto e impedindo que escolhas erradas os levem para a morte. Para finalizar a história, é revelada que essa é a última vez que os irmãos Pevensie estarão no lugar, o que embora com muita tristeza, é compreendido pelas crianças.
 
"-Aslam, Aslam, se é verdade que alguma vez nos amou, ajude-nos agora.
A escuridão não diminuiu, mas Lúcia começou a sentir-se um pouquinho melhor."
 
Assim como outras duas obras desse autor, ela também foi transformada em um filme com o mesmo nome do livro. Dessa vez, foi dirigido por Michael Apted e lançado em 2010, esse último foi muito mais resumido, algumas ilhas não apareceram no filme e outras ficaram juntas como se fossem uma só. O final também foi um pouco mais resumido do que na história original, mas ainda sim é mantida grande parte da essência da obra de Lewis.   
 
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