sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

RESENHA DO LIVRO "O PRÍNCIPE CASPIAN"

Nárnia já não era a mesma fazia muito tempo. Invadida pelos telmarinos há muito tempo e governada por eles há gerações, animais falantes e criaturas místicas como sátiros, ninfas e anões já não passavam de lendas que nem contadas podiam ser. A Era de Ouro do governo dos irmãos Pervensie e a vinda de Aslam era tida apenas como uma fantasia antiga e história de ninar.
 
"-Foi um antepassado de Vossa Alteza, Caspian I, que conquistou Nárnia e fez dela seu reino -disse o doutor Cornelius- Foi ele quem trouxe a sua gentepara cá. Porque vocês não são narnianos de origem, mas telmarinos."
 
Miraz era o rei, um soberano cruel que usurpou o trono de seu irmão Caspian IX, ele criava seu sobrinho Caspian X, herdeiro verdadeiro e apaixonado pelas histórias da Nárnia do passado e desejava andentemente ser o rei daquela terra mágica e próspera que as histórias narravam. Para complicar ainda mais a situação, a esposa de Miraz teve um filho, que facilmente poderia herdar o trono e continuar o reinado sombrio de seu pai.
 
"Titio não sabe? Dos tempos em que tudo era diferente. Em que os animais falavam, em que as fontes e as árvores eram habitadas por bonitas criaturas chamadas náiades e dríades. E havia também anões, e os bosques eram povoados de pequeninos faunos, que tinham patas iguais às dos bodes, e..."
 
É nesse cenário que Caspian foge do palácio com o auxílio de seu tutor, é nessa viagem que o príncipe encontra uma pequena parte dos seres que outrora habitavam livres e felizem: animais falantes, anões e centauros. Certas espécies místicas continuavam desaparecidas, mas para ele, o que importava era que a Era de Ouro de Nárnia das histórias era real e talvez algum dia ele pudesse reinar sobre ela.
 
"-Tem razão, rei Caspian -disse Caça-trufas- Enquanto for fiel à antiga Nárnia você será o meu rei, haja o que houver. Vida longa ao rei."
 
Na outra ponta da história temos a volta dos irmãos Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia que misteriosamente aparecem em uma ilha com um castelo em ruínas. Com a força de verdadeiros reis e rainhas de Nárnia e junto com a ajuda de um anão amigo do príncipe, eles resolvem partir para o local onde o exército narniano se reunia para auxiliá-los na batalha contra os telmarinos.
 
Com uma linguagem simples e a partir do ponto de vista de quem observa, ora o livro narra a história de Caspian, suas aventuras e seu encontro com as antigos narnianos, ora a história dos irmãos Pevensie e como eles chegaram para ajudar na deposição de Miraz é o foco narrativo. Isso traz para o leitor uma visão completa da história, lhe dando um contato próximo tanto com personagens antigos quanto com os novos personagens.
 
Um marco nos livros de Lewis é a linguagem simples e objetiva - principalmente porque aa história é voltada para crianças. Assim como em "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa" não há longas descrições das batalhas. existe apenas uma visão minimalista sem tantas adjetivações, o que deixa o livro menos épico, mas não menos interessante e apaixonante.
 
"Miraz e Pedro atiravam-se um ao outro como tigre irados. Os golpes se cruzavam tão rápidos que parecia impossível que algum deles viesse a escapar."
 
Este volume, assim como "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa" também tem sua versão em filme, que possui o mesmo nome do livro. Dirigido também por Andrew Adamson e lançado em 2008 é uma história que mantém as principais características do livro, possui algumas alterações e supressões do enredo original, entretanto do ponto de vista de adaptações cinematográficas é um bom trabalho.       
 
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

RESENHA DO LIVRO "O CAVALO E SEU MENINO"

Shasta era o filho adotivo do pescador Arriche e moravam no sul da Calormânia, terra dos adoradores de Tash e de tarcaãs e tarcaínas que sonhavam ter domínio sobre Nárnia e Arquelândia. O garoto sofria muito, não só com a pobreza, mas também com agressões. Certa vez, a chegada de um viajante peindo estadia mudou completamente os rumos dessa história. 
 
"Pela pulseira de ouro que o estrangeiro usava, Arriche logo viu que se tratava de m tarcaã, isto é, um senhor de alta linhagem. Ajoelhando- se diante do cavaleiro, o pescador acenou a Shasta para que fizesse o mesmo."
 
Ao ouvir a proposta de ser vendido como escravo ao hóspede, Shasta pensou em fugir e foi surpreendido quando o cavalo do peregrino lhe respondeu, apoiando sua fuga e se oferecendo para ajudar. Ele explicou que era um animal narniano que foi sequestrado, que queria voltar para sua terra natal onde voltaria a ser livre e poderia falar normalmente. Shasta gostou da ideia e junto com Bri (nome do cavalo) correria em busca da liberdade em um país diferente.

"-Estou dizendo o seguinte: sabe cair e montar de novo, sem chorar, e cair de novo e montar de novo, sem ficar com medo de voltar a cair?"
 
No caminho eles encontram Aravis, uma tarcaína que embora muito jovem foi prometida em casamento para um velho tarcaã por poder. Para fugir do contrato, a garota fugiu junto de sua égua, a também narniana Huin. O grupo resolveu que o caminho mais seguro para chegar em Nárnia seria atravessar o deserto, mas havia um problema, eles precisariam passar por Tashbaan, a maior cidade calormana onde tarcaãs e tarcaínas transitavam constantemente - um grande risco para Aravis, que poderia ser reconhecida facilmente. 
 
"... Atanção, Aravis, curve um pouco os ombros e pise com mais força; esconda o máximo a sua princesa. Procure imaginar que passou a vida recebendo chutes e feios insultos."

Esse livro se passa durante o reinado dos irmãos Pevensie, a Era de Ouro de Nárnia, e ainda que o foco narrativo do livro seja nas crianças e em sua trajetória, há uma participação vital na construção do enredo e em sua conclusão. A história é escrita em terceira pessoa, nos mesmos moldes que as anteriores, nas quais os pensamentos dos personagens são revelados ao leitor, o que traz um belo panorama das situações vividas, ora contando a história de Shasta, ora contando onde está Aravis e seus problemas.

Esse volume é muito bem escrito e traz lições sobre raiva e ressentimento, mostrando como esses sentimentos são negativos e nos fazem mal além da importância do perdão e da amizade como ferramentas de crescimento pessoal e solução de inúmeros problemas. Por fim, a presença de Aslam, nos piores momentos e de diversas formas, deixando claro o quanto Ele se importa com cada um em particular.   
 
"-Filho! estou contando a sua história, não a dela. A cada um só conto a história que lhe pertence."

O final da história é surpreendente e até um pouco cômico, que sempre foi uma característica marcante de Lewis. Além disso, é a única história que, majoritariamente, se passa na Calormânia. Cenários e personagens completamente diferentes aparecem e, mais uma vez, uma grande batalha acontece - semelhante aos outros livros, sem longas e excessivamente adjetivadas descrições. No final, é uma história impressionante, com um enredo brilhante, vale muito a pena ler. 


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